Comunicação Interna & Engajamento

Curiosity Check: o micro-hábito que transforma diálogos em estratégia

Curiosity Check: 3 passos para líderes estratégicos

Em ambientes corporativos cada vez mais complexos, a vantagem competitiva não está apenas em números ou processos, mas na capacidade da liderança de abrir espaço para conversas que realmente importam. Antes mesmo da primeira palavra, o posicionamento mental de um executivo já indica o resultado provável da conversa.

Muitos líderes, ao se preparar para reuniões estratégicas, negociações ou feedbacks, concentram-se em argumentos, dados e respostas. Essa preparação é necessária, mas insuficiente. Sem curiosidade, líderes caem facilmente no viés de confirmação, filtrando apenas o que reforça suas próprias crenças e perdendo sinais vitais do ambiente.

Se, por outro lado, conseguimos cultivar curiosidade real, sobretudo sob pressão, desbloqueamos benefícios cognitivos, emocionais e relacionais. A curiosidade amplia a capacidade de aprendizado, fortalece a resiliência diante de informações inesperadas e abre caminho para soluções criativas e colaborativas.

É nesse contexto que surge o conceito de Curiosity Check, criado por Jeff Wetzler e proposto pela Harvard Business Review como um micro-hábito que ajuda líderes a se posicionarem de forma aberta, estratégica e reflexiva antes de conversas de alto impacto.

O espaço que abrimos (ou fechamos) sem perceber

Não por acaso, 79% dos colaboradores (PwC, 2023) acreditam que a cultura é o diferencial competitivo de longo prazo. O contraste é que apenas 31% dos líderes (McKinsey, 2024) se dizem preparados para sustentar diálogos abertos e desafiadores.

Antes de um feedback, uma reunião estratégica ou uma comunicação de mudança, a pergunta que cada líder deve se fazer é simples, porém, poderosa:

Estou entrando nesta conversa para defender minhas certezas ou para ampliar minha compreensão?

A resposta define não apenas o resultado imediato da conversa, mas o espaço cultural que será construído ou restringido.

Curiosity Check: um micro-hábito de liderança transformadora

O Curiosity Check propõe três passos estratégicos:

  1. Localize sua mentalidade: localize-se na Curva da Curiosidade, que vai das Zonas de Certeza (desdém autojustificado, rejeição confiante, tolerância cética) até as Zonas de Curiosidade (abertura cautelosa, interesse genuíno, encantamento fascinado). Pergunte-se: diante de discordâncias, para qual zona eu tenderia a ir? Estou preparado para convencer ou para escutar? Seja honesto. Se você estiver se sentindo desdenhoso, defensivo ou convencido de que já sabe a resposta, reconheça isso. A consciência é o primeiro passo para sair do pensamento rígido.
  2. Escolha sua intenção de abertura: qual insight ou perspectiva nova posso buscar? Mova-se em direção à abertura e não à perfeição. Se você está cético, tente estar interessado. Se está frustrado, tente estar receptivo. Pequenas mudanças fazem uma grande diferença em como os outros respondem a você.
  3. Faça perguntas que ampliem perspectivas: quais perguntas eu demonstrarei interesse genuíno?  O que posso estar deixando passar? O que não está sendo dito? Como minhas suposições podem estar erradas? Com o que a outra pessoa pode estar lutando? Essas perguntas interrompem os vieses e abrem espaço para novos insights.

De: Zonas de Certeza

  • Desdém autojustificado: “Eu não suporto essa pessoa.” / “Eles são loucos, perigosos ou errados demais!”
  • Rejeição confiante: “Eles estão errados, são incompetentes ou estão fora da linha.” / “Eu estou certo!”
  • Tolerância cética: “Acho que eles estão errados, mas vou escutar mesmo assim.”

Para: Zonas de Curiosidade

  • Abertura cautelosa: “Hmm… talvez eles saibam algo que valha a pena descobrir.”
  • Interesse genuíno: “Quero realmente entender o que eles pensam e como enxergam o mundo.”
  • Encantamento fascinado: “Uau! Tem tanto que quero aprender — com eles, sobre eles e por meio deles.”
Curiosity Check
Fontes: The Right Way to Prepare for a High-Stakes Conversation, de Jeff Wetzler The Emotional and Intellectual Transformation of De-Polarization, de Jeff Wetzler.

Essa representação reforça o insight central do Curiosity Check: quanto mais conseguimos transitar das zonas de certeza para as zonas de curiosidade, maior a probabilidade de criarmos diálogos autênticos, transformadores e sustentáveis.

Comunicação Interna como reflexo da curiosidade da liderança

Comunicação Interna não é apenas sobre mensagens ou canais, mas sobre o espaço simbólico que a liderança sustenta a cada interação. Uma liderança que aplica o Curiosity Check sinaliza:

  • Segurança Psicológica: colaboradores podem se expressar sem medo.
  • Agilidade Cultural: abertura para adaptação e aprendizado contínuo.
  • Engajamento Sustentável: a voz dos colaboradores é valorizada e ouvida.

É impossível esperar engajamento genuíno quando a liderança entra nas conversas apenas para confirmar suas próprias crenças.

Segundo a Deloitte (2024), equipes lideradas por gestores que estimulam perguntas abertas têm 25% mais engajamento e são 30% mais propensas a propor soluções inovadoras.

Executivos estratégicos sabem que boas perguntas são mais transformadoras do que respostas prontas. A escolha de cultivar curiosidade redefine a influência da liderança e molda a cultura da organização.

Antes da próxima conversa de alto impacto, faça a reflexão central: Estou disposto a ser transformado pelo que vou ouvir?

Essa reflexão simples pode ser o divisor entre uma cultura que apenas fala em inovação e outra que a transforma em prática cotidiana.

Forcinha Extra da Intraliza

A Intraliza, a mais flexível e completa rede social corporativa, potencializa o Curiosity Check ao oferecer recursos que estimulam conversas abertas, engajamento inteligente e monitoramento em tempo real. Ao apoiar líderes na criação de espaços de diálogo autênticos, transforma curiosidade em inovação e performance organizacional.

Vamos Juntos?

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Sobre Milena Faneco

Com 30 anos de experiência em Comunicação Corporativa, atuou em empresas de diversos segmentos, focando no fortalecimento da imagem corporativa e no engajamento dos colaboradores. Sua expertise inclui estratégias de comunicação interna, gestão de crises, programas de relacionamento, responsabilidade social, ESG, produção de eventos e liderança em projetos de change management, cultura corporativa e diversidade.